domingo, 21 de setembro de 2014

Blocos Econômicos: OPEP



A Organização dos Países Exportadores de Petróleo é uma organização internacional que busca coordenar e unificar políticas relacionadas ao petróleo dos países membros, assim como assegurar a estabilidade do mercado internacional do produto para que se garanta um fornecimento eficiente aos consumidores.

Para se compreender a necessidade de criação de uma organização internacional voltada especificamente a esta fonte energética, devemos fazer um breve estudo histórico, em especial ao Oriente Médio, assim como entender qual a importância do petróleo nos últimos tempos.

Sendo assim, é importante salientar que o Oriente Médio esteve sob domínio europeu por longos anos, desde o século XVIII. A política imperialista da época “periferalizava” a região às potências em definitiva submissão. O Egito é o país mais influente do Mundo Árabe e somente em 1922 conquistou sua independência formal da Grã-Bretanha, ainda que esta mantivesse certos poderes no país.

Passados 30 anos, a Revolução Nacionalista no Egito trouxe a concepção de uma única pátria árabe, difundindo o pensamento anti-colonial, o que o fez aproximar da União Soviética, bem como o nacionalismo dos recursos, uma vez que a região concentra a maior parte das reservas de petróleo do mundo.

Ainda no período da II Guerra Mundial o petróleo passa a ter outro valor na condução do conflito. Alguns autores das Relações Internacionais, como Hans Morgenthau, apontam para a eficácia do material bélico como um dos elementos estáveis (ou consideravelmente estáveis) do poder dos Estados e assim na determinação da hierarquia das nações, o que coloca o petróleo como fator fundamental na garantia da segurança nacional.

No pós-guerra a necessidade do petróleo, sobretudo dos Estados Unidos, crescia consideravelmente, visto que era necessário reconstruir a Europa Ocidental e o Japão, além de impedir o avanço da URSS na região e continuar a cooperação com a Grã-Bretanha, a qual ainda possuía a maior parte das reservas do Golfo Pérsico.

Diante disso, os EUA encontravam-se cada vez mais dispostos a garantir o acesso ao petróleo. O mercado internacional desse combustível era dominado por um cartel conhecido por “As Sete Irmãs” em que compreendiam cinco empresas norte-americanas e duas europeias. A venda de petróleo estrangeiro garantia altas margens de lucro devido ao custo ser menor.

Em setembro de 1960, o cartel reduziu o valor de venda duas vezes em menos de um mês o que levou representantes dos cinco maiores fornecedores internacionais (Arábia Saudita, Venezuela, Kuwait, Iraque e Irã), que juntos correspondiam a 80% das exportações mundiais de petróleo bruto, a criarem a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP).

A partir desse momento surge a preocupação norte-americana de utilizar o petróleo como uma arma política, o que se confirmou com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, através de embargo e greve na indústria petroleira; e a Guerra do Yom Kippur, em 1973, na qual se reduziu a produção do petróleo e consequentemente aumentou o valor, levando a uma crise mundial.

A partir da década de 80, a influência da OPEP se enfraqueceu com as divergências entre seus integrantes, que chegaram a travar guerras entre si (Iraque –Irã; Iraque-Kuwait), e com o crescimento da produção de exportadores de fora da OPEP, como a Rússia, algumas antigas repúblicas soviéticas e países africanos.

Atualmente, a organização é formada pela Angola, Argélia, Líbia, Nigéria, Venezuela, Equador, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Catar. Esses países representam juntos cerca de 40% da produção mundial e as suas reservas atingem quase 80% do total.

O petróleo possui um alto rendimento e é extremamente lucrativo, além de poder ser transportado rapidamente e a baixo custo. Países como Rússia, China e EUA lideram cada vez mais a produção do petróleo. Entretanto, somente os países exportadores do Oriente Médio são capazes de aumentar a produção nos próximos anos de modo sustentável. Atrelado a isso, o Golfo Pérsico apesar de grande produtor, consome uma pequena parcela do que produz, o que garante ainda mais sua posição no mercado internacional, uma vez que para países como os EUA continua sendo a importação necessária para satisfazer as necessidades já que a demanda cresce de forma mais acelerada que a oferta.

Diante do apresentado, surgiram indagações sobre a Organização, como qual o papel da OPEP no mercado internacional? A sua criação representou uma espécie de Cartel dos Estados? Qual a efetividade nos dias atuais? Qual a necessidade do petróleo e até quando será viável a sua utilização? Sobre a utilização do petróleo como arma política e até mesmo relacionando a utilização ilegal nos dias de hoje. Estas e outras questões foram debatidas na reunião que possibilitou mais do que esclarecimentos e novas questões a serem estudadas.

Autoria do texto: Anna Carolina Monéia. 

Texto: FUSER, Igor. O petróleo e o envolvimento militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico (1945-2003). 2005. 329 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais “santiago Dantas”, da Universidade Estadual de São Paulo (unesp), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (puc-sp) e Universidade Estadual de Campinas (unicamp), São Paulo, 2005. Disponível em: <http://acervodigital.unesp.br/handle/123456789/50975>.
SMITH, Dan. O Atlas do Oriente Médio: O Mapeamento Completo de Todos os Conflitos. São Paulo: Publifolha, 2008. 144 p.
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