A Organização dos Países Exportadores de
Petróleo é uma organização internacional que busca coordenar e unificar
políticas relacionadas ao petróleo dos países membros, assim como assegurar a estabilidade
do mercado internacional do produto para que se garanta um fornecimento
eficiente aos consumidores.
Para se compreender a necessidade de
criação de uma organização internacional voltada especificamente a esta fonte
energética, devemos fazer um breve estudo histórico, em especial ao Oriente
Médio, assim como entender qual a importância do petróleo nos últimos tempos.
Sendo assim, é importante salientar que
o Oriente Médio esteve sob domínio europeu por longos anos, desde o século
XVIII. A política imperialista da época “periferalizava” a região às potências
em definitiva submissão. O Egito é o país mais influente do Mundo Árabe e
somente em 1922 conquistou sua independência formal da Grã-Bretanha, ainda que
esta mantivesse certos poderes no país.
Passados 30 anos, a Revolução
Nacionalista no Egito trouxe a concepção de uma única pátria árabe, difundindo
o pensamento anti-colonial, o que o fez aproximar da União Soviética, bem como
o nacionalismo dos recursos, uma vez que a região concentra a maior parte das
reservas de petróleo do mundo.
Ainda no período da II Guerra Mundial o
petróleo passa a ter outro valor na condução do conflito. Alguns autores das
Relações Internacionais, como Hans Morgenthau, apontam para a eficácia do
material bélico como um dos elementos estáveis (ou consideravelmente estáveis)
do poder dos Estados e assim na determinação da hierarquia das nações, o que
coloca o petróleo como fator fundamental na garantia da segurança nacional.
No pós-guerra a necessidade do petróleo,
sobretudo dos Estados Unidos, crescia consideravelmente, visto que era
necessário reconstruir a Europa Ocidental e o Japão, além de impedir o avanço
da URSS na região e continuar a cooperação com a Grã-Bretanha, a qual ainda
possuía a maior parte das reservas do Golfo Pérsico.
Diante disso, os EUA encontravam-se cada
vez mais dispostos a garantir o acesso ao petróleo. O mercado internacional
desse combustível era dominado por um cartel conhecido por “As Sete Irmãs” em
que compreendiam cinco empresas norte-americanas e duas europeias. A venda de
petróleo estrangeiro garantia altas margens de lucro devido ao custo ser menor.
Em setembro de 1960, o cartel reduziu o
valor de venda duas vezes em menos de um mês o que levou representantes dos
cinco maiores fornecedores internacionais (Arábia Saudita, Venezuela, Kuwait,
Iraque e Irã), que juntos correspondiam a 80% das exportações mundiais de
petróleo bruto, a criarem a Organização dos Países Exportadores de Petróleo
(OPEP).
A partir desse momento surge a
preocupação norte-americana de utilizar o petróleo como uma arma política, o
que se confirmou com a Guerra dos Seis Dias, em 1967, através de embargo e
greve na indústria petroleira; e a Guerra do Yom Kippur, em 1973, na qual se
reduziu a produção do petróleo e consequentemente aumentou o valor, levando a
uma crise mundial.
A partir da década de 80, a influência
da OPEP se enfraqueceu com as divergências entre seus integrantes, que chegaram
a travar guerras entre si (Iraque –Irã; Iraque-Kuwait), e com o crescimento da
produção de exportadores de fora da OPEP, como a Rússia, algumas antigas
repúblicas soviéticas e países africanos.
Atualmente, a organização é formada pela
Angola, Argélia, Líbia, Nigéria, Venezuela, Equador, Arábia Saudita, Emirados
Árabes Unidos, Irã, Iraque, Kuwait e Catar. Esses países representam juntos
cerca de 40% da produção mundial e as suas reservas atingem quase 80% do total.
O petróleo possui um alto rendimento e é
extremamente lucrativo, além de poder ser transportado rapidamente e a baixo
custo. Países como Rússia, China e EUA lideram cada vez mais a produção do
petróleo. Entretanto, somente os países exportadores do Oriente Médio são
capazes de aumentar a produção nos próximos anos de modo sustentável. Atrelado
a isso, o Golfo Pérsico apesar de grande produtor, consome uma pequena parcela
do que produz, o que garante ainda mais sua posição no mercado internacional,
uma vez que para países como os EUA continua sendo a importação necessária para
satisfazer as necessidades já que a demanda cresce de forma mais acelerada que
a oferta.
Diante do apresentado, surgiram
indagações sobre a Organização, como qual o papel da OPEP no mercado
internacional? A sua criação representou uma espécie de Cartel dos Estados?
Qual a efetividade nos dias atuais? Qual a necessidade do petróleo e até quando
será viável a sua utilização? Sobre a utilização do petróleo como arma política
e até mesmo relacionando a utilização ilegal nos dias de hoje. Estas e outras
questões foram debatidas na reunião que possibilitou mais do que
esclarecimentos e novas questões a serem estudadas.
Autoria do texto: Anna Carolina Monéia.
Texto: FUSER, Igor. O petróleo e o envolvimento militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico (1945-2003). 2005. 329 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais “santiago Dantas”, da Universidade Estadual de São Paulo (unesp), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (puc-sp) e Universidade Estadual de Campinas (unicamp), São Paulo, 2005. Disponível em: <http://acervodigital.unesp.br/handle/123456789/50975>.
SMITH, Dan. O Atlas do Oriente Médio: O Mapeamento Completo de Todos os Conflitos. São Paulo: Publifolha, 2008. 144 p.
Autoria do texto: Anna Carolina Monéia.
Texto: FUSER, Igor. O petróleo e o envolvimento militar dos Estados Unidos no Golfo Pérsico (1945-2003). 2005. 329 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Relações Internacionais, Programa de Pós-graduação em Relações Internacionais “santiago Dantas”, da Universidade Estadual de São Paulo (unesp), Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (puc-sp) e Universidade Estadual de Campinas (unicamp), São Paulo, 2005. Disponível em: <http://acervodigital.unesp.br/handle/123456789/50975>.
SMITH, Dan. O Atlas do Oriente Médio: O Mapeamento Completo de Todos os Conflitos. São Paulo: Publifolha, 2008. 144 p.
