O grupo
internacional Médicos sem Fronteiras (MSF) alertou nesta terça-feira que o
mundo está perdendo a batalha contra o ebola e lamentou que os centros de tratamento
no oeste da África tenham se "reduzido a lugares onde as pessoas vão para
morrer sozinhas", enquanto as autoridades lutam para conter a doença.
A
presidente do MSF, Joanne Liu, disse que a organização está completamente esgotada
pelo surto de Ebola nos países africanos. Ela afirmou que os centros de tratamento
podem oferecer pouco mais do que cuidados paliativos e convocou os outros
países para contribuir com médicos civis e militares familiarizados com desastres
biológicos.
A diretora da Organização Mundial da Saúde (OMS),
Margaret Chan, alertou que o surto mundial "ficará pior antes de
melhorar" e que exigirá maior responsabilidade global. Ela agradeceu aos
países que ajudaram, mas disse que é necessária mais ajuda, incluindo os países
que ainda não contribuíram.
Novo infectado
Um
terceiro missionário americano foi infectado com ebola enquanto trabalhava na
Libéria e está sendo tratado em uma unidade isolada no hospital de Monróvia, onde
trabalha, na capital do país africano.
O
americano é obstetra e não trabalhava diretamente no tratamento da epidemia. Ele
é o segundo missionário trabalhando pelo SIM USA, organização beneficente americana,
a contrair a doença.
Não se
sabe como o médico foi infectado, informou o SIM USA. Ele se isolou assim que
sentiu sintomas e "está indo bem", de acordo com a organização. O
grupo não informou mais detalhes sobre o médico, seu tratamento ou quando ele
poderá ser retirado da Libéria.
Nancy
Writebol, também missionária da SIM USA, e Kent Brantly, médico que trabalhava
no Samaritan''s Purse, outra organização beneficente, foram levados para uma
área isolada no Hospital da Universidade de Emory, em Atlanta. Ambos se
recuperaram da doença após tratamento experimental e receberam alta.
Enquanto
não se sabe como o médico foi infectado na Libéria, seus colegas de trabalho
estão em risco.
Profissionais
que trabalham em centros de saúde gerais tem risco mais alto de contaminação do
que os que atuam em centros de tratamento de ebola, segundo especialistas. Isso
porque esses médicos tratam pacientes que ainda não foram diagnosticados com a
doença e, portanto, não foram isolados.
O surto de ebola na África ocidental já matou mais de 1,500 pessoas na Guiné, Libéria, Serra Leoa e Nigéria.
Fonte: Estadão
