O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quarta-feira (3), que o país irá “destruir” o Estado Islâmico, grupo sunita fundamentalista que atua na Síria e no Iraque.
O EI divulgou nesta terça-feira (2) um vídeo da execução de Steven Sotloff, jornalista americano que foi sequestrado na Síria há mais de um ano. No dia 19 de agosto, o grupo anunciou que havia executado o jornalista James Foley, que também havia sido capturado enquanto cobria o conflito sírio.
Segundo o presidente, o combate ao Estado Islâmico pode levar tempo por causa dovácuo de poder que há na Síria, do grande número que ganharam experiência durante a guerra no Iraque e da necessidade de formar coalizões, inclusive as comunidades sunitas locais.
“Seja lá o que for que estes assassinos pensam que irão conquistar matando norte-americanos inocentes como Steven, já fracassaram”, disse Obama. “Fracassaram porque, como muitos ao redor do mundo, os norte-americanos estão enojados com sua barbárie. Não seremos intimidados".
Os Estados Unidos retomaram os ataques aéreos no Iraque em agosto pela primeira vez desde a retirada de suas tropas do país em 2011, e Obama declarou que estas ações já têm se mostrado eficazes.
“Eles deveriam saber que vamos segui-los até os portões do inferno, até serem levados à justiça. Porque o inferno é onde irão morar”, afirmou o vice-presidente, Joe Biden, em New Hampshire.
Em Washington, o secretário de Estado, John Kerry, classificou a execução de Sotloff de “soco no estômago” e disse que os EUA usaram todas as ferramentas militares, diplomáticas e de inteligência que possuem para libertar os reféns na Síria.
Obama está enviando Kerry, o secretário de Defesa, Chuck Hagel, e a conselheira de contra-terrorismo, Lisa Monaco, ao Oriente Médio para elaborar maneiras de combater o Estado Islâmico com parceiros regionais.
Repercussão
A morte de Sotloff provocou a reação de diversas instituições internacionais, que pediram pela proteção dos profissionais da imprensa que estão cobrindo o conflito.
A Síria é o país mais perigoso no mundo para os jornalistas há mais de dois anos.
Segundo o Comitê de Proteção dos Jornalistas, além de Foley e de Sotloff, pelo menos 69 jornalistas foram mortos cobrindo o conflito iniciado em 2011, 13% deles estrangeiros, e 75% em situações de combate.
Mais de 80 profissionais foram sequestrados no país, número sem precedentes desde que o CPJ foi fundado, em 1981. O comitê estima que pelo menos 20 jornalistas, a maioria síria, esteja desaparecida no país – e pelo menos seis estejam sob poder do Estado Islâmico.
A Federação Internacional dos Jornalistas também se manifestou e pediu medidas da comunidade internacional para garantir a proteção dos profissionais que cobrem o conflito.
A Federação Europeia de Jornalismo também pediu ajuda da comunidade internacional.
"A comunidade internacional deve manter-se unida e tomar atitudes firmes para encontrar, prender e processar aqueles que atacam a imprensa livre", disse em comunicado.
Fonte: Brasil Post
