Durante a 18ª Reunião Regional Americana da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o diretor-geral da OIT, Guy Ryder, ressaltou que a taxa média de informalidade nas Américas é de quase 47% e, apesar da queda deste percentual, a formalização de empregos na região precisa ser considerada uma prioridade.
Ryder destacou os avanços em relação ao emprego na região, observando que hoje a taxa de desemprego urbano é de 6,2%, comparado aos 6,6% de meados do ano passado. Ele também lembrou que houve um grande avanço na luta contra a pobreza.
O diretor da OIT também chamou a atenção para o momento atual, pois está sendo notada uma perda de dinamismo econômico regional e global, que trará um impacto para o mercado de trabalho.
“Ao mesmo tempo, e isso não é uma coincidência, com essas taxas de informalidade não é nenhuma surpresa que a América ainda seja a região mais desigual do mundo”, lembrou.
Ryder elogiou o progresso da América Latina na promoção dos direitos fundamentais dos trabalhadores, especialmente na luta contra o trabalho infantil, mas lembrou de um desafio ainda presente na região: o diálogo social.
“Em momentos em que se fala muito na região, e também em outros lugares, sobre a necessidade de realizar reformas estruturais e de melhorar a produtividade e a competitividade de nossas economias, é importante compreender que o diálogo entre governos, empregadores e trabalhadores é uma ferramenta, e não um obstáculo, para promover melhorias nessas áreas”, concluiu.
A Reunião Regional da OIT, realizada entre os dias 13 e 16 de outubro, é considerada o evento mais importante do mundo do trabalho no continente.
Além disso, de acordo com o relatório anual “Panorama Laboral 2014 da América Latina e Caribe”, produzido em conjunto pela Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe (CEPAL) da ONU e a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o desenvolvimento econômico desfavorável na América Latina e no Caribe neste segundo semestre não será um empecilho para que a taxa média de desemprego regional diminua ligeiramente de 6,2% – registrada em 2013 – para até 6,0% no final de 2014.
Um dos fatores responsáveis por esta melhora nos indicadores se deve a formalização dos postos de trabalho. Segundo o documento, divulgado nesta quarta-feira (15), no momento a taxa média de desemprego da região continua a mesma do final de 2013 – 6,2% –, porém abaixo da taxa de 6,6% registrada no primeiro semestre de 2013. Já no Brasil, a taxa média de desemprego continua registrando queda, de 5,7%, no primeiro semestre de 2013, para 4,9%, no primeiro semestre de 2014.
No entanto, o relatório mostra que a taxa de participação laboral regional caiu, em relação ao primeiro semestre de 2013 – de 60,3% para 59,3% -, bem como a taxa de ocupação de 56,5% para 55,7%. Sobre estes resultados, as agências da ONU afirmaram que são consequências do enfraquecimento na criação de empregos assalariados e também reforçaram que não há previsão para que os países da região invistam até o final de 2014 na criação de empregos.
Acompanhando o ritmo da região, o Brasil também registrou queda na taxa de participação laboral de 57,1% para 56% e na taxa de ocupação de 54% para 53,2%, em relação ao primeiro semestre de 2013 e 2014.
Apesar do impasse atual em alguns países, o equilíbrio no mercado de trabalho na América Latina e o Caribe nos últimos anos é positivo. Entre 2009 e 2013, o número de empregos com carteira assinada cresceu 12,7%, enquanto o emprego informal aumentou 2,6%. Este aumento da formalidade beneficiou, principalmente, os trabalhadores com níveis intermediários de escolaridade e as mulheres.
Fonte: ONU
