domingo, 8 de março de 2015

Cooperação Internacional em Saúde


O texto de Paulo Marchiori Barros e José roberto Ferreira, que serve de norte para o presente resumo, se propôs a ser um estudo sucinto e sintético acerca da chamada cooperação internacional em saúde: o modelo dominante nesse campo, algumas alternativas ao mesmo modelo e prognósticos para o cenário da cooperação internacional, considerada aqui uma importante parte da diplomacia da saúde, são problematizados de forma satisfatória.

Em um primeiro momento, faz-se necessário entender as necessidades da cooperação internacional em saúde. Ainda que estejamos em um período em que a medicina e as ciências de uma forma geral avançam e melhoram as condições de saúde de milhares de pessoas, o processo de globalização produz disparidades alarmante, não permitindo que muitas pessoas – habitantes de países periféricos em sua maioria – tenham acesso a um sistema de saúde qualificado.

Nos países onde isso não se torna possível, há ainda o agravante da fome, da pobreza, da subnutrição, das condições sanitárias precárias, da falta de educação sexual, da mortalidade infantil elevada e atenção insatisfatória à maternidade, o que gera uma dupla carga de enfermidades, isto é, o convívio de doenças epidêmicas transmissíveis com doenças crônicas não transmissíveis.

Quando somamos os agravantes acima citados às limitações de governança e a baixa capacidade de fomentar políticas sociais e saúde, entendemos o que coloca esses países subdesenvolvidos em situação de dependência da ajuda internacional.

Embora munidos das melhores intenções em ajudar a população pobre dos países mais pobres do mundo, os atores globais que participam do modelo dominante de cooperação internacional em saúde com frequência impõem suas próprias visões de mundo para estabelecer uma cooperação com prioridades e objetivos definidos. Os países beneficiários se encontram, portanto, à mercê do contexto geopolítico; Os Estados Unidos, por exemplo, gastam muito mais com donativos internacionais em países estratégicos, como os do Golfo Pérsico, do que aqueles situados na África Subsaariana.

É preciso então pensar em alternativas a esse modelo. De fato, muitas iniciativas foram desenhadas nos últimos anos. Algo comum a elas é a percepção de que a ajuda deve ser horizontal, focar no longo prazo e fomentar perspectivas de que a longo prazo os países beneficiários consigam se tornar independentes dos donativos internacionais.

Uma alternativa vista com bons olhos pelos autores do texto é a Cooperação Sul-Sul. De acordo com essa visão, a responsabilidade pelo desenvolvimento do Sul compete apenas ao Sul. É uma cooperação horizontal, uma parceria norteada por intercâmbios entre os países do Sul subdesenvolvido e pelo compartilhamento de tecnologias constituindo um soft power diplomático, uma verdadeira diplomacia da saúde.

Os esforços internacionais se expandem rapidamente e novas iniciativas alternativas ao modelo de cooperação dominante podem fomentar a cooperação internacional em saúde. Ainda que exista um grande abismo entre a intenção e a concretização do gesto, o prognóstico da cooperação internacional em saúde é bem favorável.

Texto de autoria de Ariel Oliveira 


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