O texto de Paulo Marchiori Barros
e José roberto Ferreira, que serve de norte para o presente resumo, se propôs a
ser um estudo sucinto e sintético acerca da chamada cooperação internacional em
saúde: o modelo dominante nesse campo, algumas alternativas ao mesmo modelo e
prognósticos para o cenário da cooperação internacional, considerada aqui uma
importante parte da diplomacia da saúde, são problematizados de forma
satisfatória.
Em um primeiro momento, faz-se
necessário entender as necessidades da cooperação internacional em saúde. Ainda
que estejamos em um período em que a medicina e as ciências de uma forma geral
avançam e melhoram as condições de saúde de milhares de pessoas, o processo de
globalização produz disparidades alarmante, não permitindo que muitas pessoas –
habitantes de países periféricos em sua maioria – tenham acesso a um sistema de
saúde qualificado.
Nos países onde isso não se torna
possível, há ainda o agravante da fome, da pobreza, da subnutrição, das
condições sanitárias precárias, da falta de educação sexual, da mortalidade
infantil elevada e atenção insatisfatória à maternidade, o que gera uma dupla
carga de enfermidades, isto é, o convívio de doenças epidêmicas transmissíveis
com doenças crônicas não transmissíveis.
Quando somamos os agravantes
acima citados às limitações de governança e a baixa capacidade de fomentar
políticas sociais e saúde, entendemos o que coloca esses países
subdesenvolvidos em situação de dependência da ajuda internacional.
Embora munidos das melhores
intenções em ajudar a população pobre dos países mais pobres do mundo, os
atores globais que participam do modelo dominante de cooperação internacional
em saúde com frequência impõem suas próprias visões de mundo para estabelecer
uma cooperação com prioridades e objetivos definidos. Os países beneficiários
se encontram, portanto, à mercê do contexto geopolítico; Os Estados Unidos, por
exemplo, gastam muito mais com donativos internacionais em países estratégicos,
como os do Golfo Pérsico, do que aqueles situados na África Subsaariana.
É preciso então pensar em
alternativas a esse modelo. De fato, muitas iniciativas foram desenhadas nos
últimos anos. Algo comum a elas é a percepção de que a ajuda deve ser
horizontal, focar no longo prazo e fomentar perspectivas de que a longo prazo
os países beneficiários consigam se tornar independentes dos donativos
internacionais.
Uma alternativa vista com bons
olhos pelos autores do texto é a Cooperação Sul-Sul. De acordo com essa visão,
a responsabilidade pelo desenvolvimento do Sul compete apenas ao Sul. É uma
cooperação horizontal, uma parceria norteada por intercâmbios entre os países
do Sul subdesenvolvido e pelo compartilhamento de tecnologias constituindo um soft power diplomático, uma verdadeira
diplomacia da saúde.
Os esforços internacionais se
expandem rapidamente e novas iniciativas alternativas ao modelo de cooperação
dominante podem fomentar a cooperação internacional em saúde. Ainda que exista
um grande abismo entre a intenção e a concretização do gesto, o prognóstico da
cooperação internacional em saúde é bem favorável.
Texto de autoria de Ariel Oliveira
