domingo, 22 de março de 2015

FAO


Em primeiro lugar, é necessário entender a fome, ou seja, entender porque isso se deu de forma tão extrema em que foi necessária a criação de uma organização. Pode-se subdividir a fome em dois ramos: a fome aguda que é aquela urgência em se alimentar ou a um grande apetite; e a fome crônica que ocorre quando não há uma alimentação diária suficiente para a manutenção plena do organismo. A fome crônica é uma das formas de levar à desnutrição, dada pela quantidade insuficiente de energia e nutrientes, e também, do aproveitamento inadequado do que é consumido, muitas vezes gerado por doenças. No caso das crianças, isso é agravado devido a sua maior fragilidade e em decorrência do desmame precoce, da higiene precária na preparação dos alimentos e a falta de vitaminas e minerais na dieta.
A má alimentação é muitas vezes ocasionada devido à pobreza, em que não se consegue satisfazer as necessidades humanas fundamentais como alimentação, moradia, vestuário, educação, saúde e outras. O instinto de sobrevivência do homem e de todas as outras espécies animais faz com que suas necessidades alimentares tenham preferência às demais.
Portanto, a questão da segurança alimentar foi fator crítico na evolução inicial da espécie humana e assim sucessivamente no desenvolvimento das civilizações. A atividade em conjunto de obter alimento suficiente para o povo primitivo garantia a sobrevivência coletiva. O desenvolvimento de técnicas agrícolas e a domesticação animal reforçaram a segurança alimentar que tornava o homem menos vulnerável, pois assim estava mais bem alimentado e protegido. Com isso, também, se deu um aumento acelerado na sua multiplicação, passando a integrar comunidades mais numerosas e ocupando regiões mais vastas.
Contudo, é interessante a partir desse ponto observar a relação entre a quantidade de alimentos ofertada e a demanda produzida. A teoria de Malthus propõe, então, que a força do homem era muito maior que a força da terra e a primeira deveria ser controlada, uma vez que se expandia em razão geométrica, enquanto a segunda em razão aritmética. Portanto, somente a miséria das massas e o extermínio parcial poderiam conduzir a um equilíbrio. Este quando não recuperado pelo homem, sofria pela natureza através de doenças e pestes propagadas pela frágil situação do homem desnutrido e desprovido de higiene.
A segurança alimentar implica, além da disponibilidade de alimentos, o acesso aos mesmos! E isso é um ponto crucial ao se falar em desigualdade social e em momentos de crise.  Portanto, diante da problematização da segurança alimentar, da fome e da miséria nota-se que estão diretamente relacionados à estabilidade interna, bem como com pressões ou interferências exteriores. É então compreensível a existência de uma organização que se preocupe especialmente com a questão da alimentação e da produção.
A Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) foi criada em 16 de outubro de 1945 e atua como um fórum neutro, em que os países se reúnem para negociar acordos e normas internacionais, debater políticas e impulsionar iniciativas estratégicas com o fim de auxiliar os países a aperfeiçoar e modernizar suas atividades agrícolas, florestais e pesqueiras, para assegurar uma boa nutrição a todos  e o desenvolvimento agrícola e rural sustentável. Também é responsável por organizar reuniões técnicas e consultoria de especialistas.
A FAO possui 191 países membros e a União Europeia, compreendendo cinco oficinas regionais e 78 escritórios. A organização funciona também como meio de informação, pois coleta, analisa e dissemina dados auxiliando os Estados e divulgando ao conhecimento público.
Todas as ações são movidas com o fim de erradicar a fome, a insegurança alimentar e a desnutrição; a eliminação da pobreza e a impulsão ao progresso econômico e social para todos; e também, o ensino da utilização dos recursos naturais, incluindo a terra, água, ar, clima e recursos genéticos para o benefício das gerações presentes e futuras.
A FAO não dispõe de um orçamento exorbitante e assim tem sido cada vez mais orientada a atender situações emergenciais, principalmente na África em que há um círculo vicioso de fome-conflito-refugiados-mais fome. O orçamento total previsto para 2014-2015 é de 2400 milhões de dólares de que 41% provêm das taxas pagas pelos países membros, enquanto 59% serão mobilizados através de contribuições voluntárias dos Estados-Membros e outros parceiros.
O Brasil, em particular, deve ter o problema da segurança alimentar resolvido internamente pelos brasileiro, ainda que receba apoio da FAO, como já vem acontecendo em muitos casos:
      Apoio ao programa Fome Zero, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDA).
      Apoio ao Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar – PRONAF, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA).
      Apoio ao Programa de Organização Produtiva de Comunidades – PRODUZIR, em parceria com o Ministério da Integração Nacional.
      Apoio ao Programa Nacional de Florestas – PNF, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).
      Apoio ao Programa Nacional de Gestão Ambiental Rural, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).
      Apoio ao Plano Nacional de Desenvolvimento da Pesca e Aquicultura, em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
      Apoio ao Programa Nacional de Alimentação Escolar, em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação – FNDE, Ministério da Educação (MEC).
      Apoio ao Programa de Áreas Degradadas na Amazônia (Pradam), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e iniciativas regionais e subregionais vinculadas a Sanidade Animal, Proteção Vegetal, Biocombustíveis, Segurança Alimentar.
No caso brasileiro devem-se levar em conta os problemas na produção, como por exemplo, o uso de técnicas e insumos inadequados; a deficiência na embalagem, no armazenamento e no transporte; a falta de irrigação; as perdas por pragas e roedores; a distribuição de terras; o custo da produção e a escassez de financiamento. E associado a isso e de extrema importância o baixo poder aquisitivo.
Por tudo que foi mencionado é evidente a necessidade da atuação da FAO no mundo e principalmente nos países mais afetados. Ainda nos dias de hoje, a desigualdade social e as guerras tem tornado a fome e a pobreza um problema tão real quanto antigamente. A ação de organizações como a FAO e ONGs associadas a outras organizações como a OMS, UNESCO, UNICEF etc.  são a única esperança para muitas pessoas que vivem em situações desfavoráveis.

REFERENCIA BIBLIOGRAFICA:
MONTEIRO, Carlos Augusto. A dimensão da pobreza, da desnutrição e da fome no Brasil. Estud. av. [online]. 2003, vol.17, n.48, pp. 7-20. ISSN 0103-4014. Disponível em: www.scielo.br/pdf/ea/v17n48/v17n48a02.pdf
ALENCAR, Álvaro Gurgel de. Do conceito estratégico de segurança alimentar ao plano de ação da FAO para combater a fome. Rev. bras. polít. int. [online]. 2001, vol.44, n.1, pp. 137-144. ISSN 0034-7329. Disponível em: www.scielo.br/pdf/rbpi/v44n1/a09v44n1.pdf

BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR:
Combate à fome no Brasil: uma análise histórica de Vargas a Lula - www.scielo.br/pdf/rn/v18n4/25843.pdf
O Estado da Segurança Alimentar e Nutricional no Brasil - www.fao.org.br/download/SOFI_p.pdf

FAO Investment Centre –50 years of promoting investment in agriculture - www.youtube.com/watch?v=YG7Vtpe60iA

Texto de autoria de Anna Carolina Moneia
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