Em primeiro lugar, é necessário entender a fome, ou seja, entender
porque isso se deu de forma tão extrema em que foi necessária a criação de uma
organização. Pode-se subdividir a fome em dois ramos: a fome aguda que é aquela
urgência em se alimentar ou a um grande apetite; e a fome crônica que ocorre
quando não há uma alimentação diária suficiente para a manutenção plena do
organismo. A fome crônica é uma das formas de levar à desnutrição, dada pela
quantidade insuficiente de energia e nutrientes, e também, do aproveitamento
inadequado do que é consumido, muitas vezes gerado por doenças. No caso das
crianças, isso é agravado devido a sua maior fragilidade e em decorrência do
desmame precoce, da higiene precária na preparação dos alimentos e a falta de
vitaminas e minerais na dieta.
A má alimentação é muitas vezes ocasionada devido à pobreza, em que não
se consegue satisfazer as necessidades humanas fundamentais como alimentação,
moradia, vestuário, educação, saúde e outras. O instinto de sobrevivência do
homem e de todas as outras espécies animais faz com que suas necessidades
alimentares tenham preferência às demais.
Portanto, a questão da segurança alimentar foi fator crítico na evolução
inicial da espécie humana e assim sucessivamente no desenvolvimento das civilizações.
A atividade em conjunto de obter alimento suficiente para o povo primitivo
garantia a sobrevivência coletiva. O desenvolvimento de técnicas agrícolas e a
domesticação animal reforçaram a segurança alimentar que tornava o homem menos
vulnerável, pois assim estava mais bem alimentado e protegido. Com isso,
também, se deu um aumento acelerado na sua multiplicação, passando a integrar
comunidades mais numerosas e ocupando regiões mais vastas.
Contudo, é interessante a partir desse ponto observar a relação entre a
quantidade de alimentos ofertada e a demanda produzida. A teoria de Malthus
propõe, então, que a força do homem era muito maior que a força da terra e a
primeira deveria ser controlada, uma vez que se expandia em razão geométrica,
enquanto a segunda em razão aritmética. Portanto, somente a miséria das massas
e o extermínio parcial poderiam conduzir a um equilíbrio. Este quando não
recuperado pelo homem, sofria pela natureza através de doenças e pestes
propagadas pela frágil situação do homem desnutrido e desprovido de higiene.
A segurança alimentar implica, além da disponibilidade de alimentos, o
acesso aos mesmos! E isso é um ponto crucial ao se falar em desigualdade social
e em momentos de crise. Portanto, diante
da problematização da segurança alimentar, da fome e da miséria nota-se que
estão diretamente relacionados à estabilidade interna, bem como com pressões ou
interferências exteriores. É então compreensível a existência de uma
organização que se preocupe especialmente com a questão da alimentação e da
produção.
A Organização para Alimentação e Agricultura (FAO) foi criada em 16 de
outubro de 1945 e atua como um fórum neutro, em que os países se reúnem para
negociar acordos e normas internacionais, debater políticas e impulsionar
iniciativas estratégicas com o fim de auxiliar os países a aperfeiçoar e
modernizar suas atividades agrícolas, florestais e pesqueiras, para assegurar
uma boa nutrição a todos e o desenvolvimento agrícola e rural
sustentável. Também é responsável por organizar reuniões técnicas e consultoria
de especialistas.
A FAO possui 191 países membros e a União Europeia, compreendendo cinco
oficinas regionais e 78 escritórios. A organização funciona também como meio de
informação, pois coleta, analisa e dissemina dados auxiliando os Estados e
divulgando ao conhecimento público.
Todas as ações são movidas com o fim de erradicar a fome, a insegurança
alimentar e a desnutrição; a eliminação da pobreza e a impulsão ao
progresso econômico e social para todos; e também, o ensino da utilização dos
recursos naturais, incluindo a terra, água, ar, clima e recursos genéticos para
o benefício das gerações presentes e futuras.
A FAO não dispõe de um orçamento exorbitante e assim tem sido cada vez
mais orientada a atender situações emergenciais, principalmente na África em
que há um círculo vicioso de fome-conflito-refugiados-mais fome. O orçamento
total previsto para 2014-2015 é de 2400 milhões de dólares de que 41% provêm
das taxas pagas pelos países membros, enquanto 59% serão mobilizados através de
contribuições voluntárias dos Estados-Membros e outros parceiros.
O Brasil, em particular, deve ter o problema da segurança alimentar
resolvido internamente pelos brasileiro, ainda que receba apoio da FAO, como já
vem acontecendo em muitos casos:
• Apoio ao programa Fome Zero, em parceria com o
Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDA).
• Apoio ao Programa Nacional de Fortalecimento da
Agricultura Familiar – PRONAF, em parceria com o Ministério do Desenvolvimento
Agrário (MDA).
• Apoio ao Programa de Organização Produtiva de
Comunidades – PRODUZIR, em parceria com o Ministério da Integração Nacional.
• Apoio ao Programa Nacional de Florestas – PNF, em
parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).
• Apoio ao Programa Nacional de Gestão Ambiental
Rural, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente (MMA).
• Apoio ao Plano Nacional de Desenvolvimento da
Pesca e Aquicultura, em parceria com o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
• Apoio ao Programa Nacional de Alimentação
Escolar, em parceria com o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação –
FNDE, Ministério da Educação (MEC).
• Apoio ao Programa de Áreas Degradadas na Amazônia
(Pradam), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e
iniciativas regionais e subregionais vinculadas a Sanidade Animal, Proteção
Vegetal, Biocombustíveis, Segurança Alimentar.
No caso brasileiro devem-se levar em conta os problemas na produção,
como por exemplo, o uso de técnicas e insumos inadequados; a deficiência na
embalagem, no armazenamento e no transporte; a falta de irrigação; as perdas
por pragas e roedores; a distribuição de terras; o custo da produção e a
escassez de financiamento. E associado a isso e de extrema importância o baixo
poder aquisitivo.
Por tudo que foi mencionado é evidente a necessidade da atuação da FAO
no mundo e principalmente nos países mais afetados. Ainda nos dias de hoje, a
desigualdade social e as guerras tem tornado a fome e a pobreza um problema tão
real quanto antigamente. A ação de organizações como a FAO e ONGs associadas a
outras organizações como a OMS, UNESCO, UNICEF etc. são a única esperança para muitas pessoas que
vivem em situações desfavoráveis.
REFERENCIA
BIBLIOGRAFICA:
MONTEIRO, Carlos Augusto. A dimensão da
pobreza, da desnutrição e da fome no Brasil. Estud. av. [online].
2003, vol.17, n.48, pp. 7-20. ISSN 0103-4014. Disponível em:
www.scielo.br/pdf/ea/v17n48/v17n48a02.pdf
ALENCAR, Álvaro Gurgel de. Do conceito
estratégico de segurança alimentar ao plano de ação da FAO para combater a
fome. Rev. bras. polít. int. [online]. 2001, vol.44, n.1,
pp. 137-144. ISSN 0034-7329. Disponível em: www.scielo.br/pdf/rbpi/v44n1/a09v44n1.pdf
BIBLIOGRAFIA
COMPLEMENTAR:
Combate à fome no Brasil: uma
análise histórica de Vargas a Lula - www.scielo.br/pdf/rn/v18n4/25843.pdf
O Estado da Segurança Alimentar e
Nutricional no Brasil - www.fao.org.br/download/SOFI_p.pdf
FAO Investment Centre –50
years of promoting investment in agriculture -
www.youtube.com/watch?v=YG7Vtpe60iA
Texto de autoria de Anna Carolina Moneia
Texto de autoria de Anna Carolina Moneia
