A Guerra do Vietnã, cujo fim
completa 40 anos nesta quinta-feira, se estendeu de 1959, quando começaram os
combates de guerrilheiros comunistas no Vietnã do Sul (na época uma ditadura
apoiada pelos Estados Unidos), até que os últimos militares deixassem a capital,
Saigon, em abril de 1975.
A
tomada da cidade, hoje chamada Ho Chi Minh, pelas forças comunistas do Vietnã
do Norte lançou as bases para a reunificação vietnamita e foi a maior derrota
militar da história dos EUA - que se envolveram no conflito em 1961, temendo o
avanço do comunismo.
Para
americanos e vietnamitas, foi uma guerra custosa, sangrenta e divisiva.O conflito
marcou a história do Vietnã no século passado, deixou o país em ruínas, causou
milhões de mortes e ainda desperta debates.
A seguir,
dez dados sobre a guerra e suas consequências:
1.
Rivalidade da Guerra Fria: O antigo
Vietnã do Sul dependia da ajuda econômica e militar dos EUA, enquanto o Vietnã
do Norte recebia apoio da União Soviética e da China.
2.
Número de soldados: Mais de 2,5 milhões de americanos serviram na guerra; em 1968 havia 536
mil deles combatendo. Em 1973, quando os EUA aceitaram um cessar-fogo, as
forças do Vietnã do Sul eram de cerca de 700 mil, enquanto as do Vietnã do
Norte somavam cerca de 1 milhão de combatentes.
3.
Número de mortos: Mais de 58
mil americanos e ao menos 1,1 milhão de vietnamitas morreram no conflito
(algumas estimativas falam em 3 milhões de mortos). Outros países também
sofreram baixas: foram mortos, por exemplo, mais de 4 mil soldados
sul-coreanos.
4.
Guerra internacional: Algumas
nações enviaram tropas para ajudar os EUA; participaram do conflito milhares de
soldados da Coreia do Sul, Tailândia, Austrália, Filipinas e Nova Zelândia. A
China também enviou um número substancial de soldados ao Vietnã do Norte:
chegaram a 170 mil, para reparar os danos causados pelos bombardeios americanos
e para ajudar na defesa aérea.
5.
Guerra aérea: A Força
Aérea dos EUA lançou 6,7 milhões de toneladas de bombas sobre o Vietnã; as
forças aliadas do Vietnã do Sul, Austrália e Nova Zelândia lançaram outras 1,4
milhão de toneladas. Esse
montante corresponde a mais do dobro do volume de bombas lançado por Reino
Unido e EUA - 3,4 milhões de toneladas - em operações na Europa e no Pacífico
durante a Segunda Guerra Mundial.
6.
O tanque: Durante 20
anos, acreditou-se que um tanque do Vietnã do Norte - o de número 843 - tivesse
sido o primeiro a avançar contra as portas do Palácio Presidencial de Saigon,
em 30 de abril de 1975. Só em meados de 1990 que o Vietnã concluiu que foi obra
de outro tanque, o número 390.
7.
Arma icônica: Nenhuma
outra arma está tão associada à Guerra do Vietnã quanto o fuzil AK-47. Foi a
principal arma do Exército do Vietnã do Norte e das guerrilhas do Sul e se
converteu na arma revolucionária preferida em todo o mundo. As
tropas americanas usaram sobretudo o fuzil M14 e, posteriormente, o M16. Os
fuzis de assalto americanos eram de difícil manejo nas úmidas selvas do Vietnã.
8.
Legado controverso: O Vietnã
pediu, sem sucesso, compensação às vítimas do "agente laranja" -
substância química jogada pelas tropas americanas no solo para destruir
plantações agrícolas e desfolhar florestas usadas como esconderijo pelos
inimigos, que acabou causando danos, malformação de crianças e contaminação,
com efeitos que duram até hoje.
9.
Divisão: Mais de 1
milhão dos chamados "boat people" (imigrantes que viajavam em barco)
fugiram do Vietnã do Sul entre 1975 e 1989. A maioria se estabeleceu nos EUA.
10.
Normalização: EUA e
Vietnã normalizaram suas relações em 1995 e anunciaram um acordo amplo em 2013.
O comércio bilateral movimentou quase US$ 35 bilhões em 2014.
Fonte: BBC Brasil
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