quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Faixa de Gaza pode se tornar inabitável em 2020, afirma ONU

Através de um buraco na parede, palestinos são vistos em charrete na cidade de Beit Lahiya, no norte da Faixa de Gaza, em 25 de agosto de 2015. Segundo testemunhas, a casa foi destruída em bombardeio israelense no ano passado (Foto: Mohammed Salem/Reuters)
A Faixa de Gaza pode se tornar inabitável em 2020 se o atual cenário econômico da região persistir, afirma o Relatório de Comércio e Desenvolvimento da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad).
Divulgado nesta quarta-feira (2), o relatório responsabiliza os oito anos de bloqueio israelense apoiado pelo Egito e as três operações militares de Israel ocorridas desde 2008 pela deterioração da Faixa, que descreve como reversão do desenvolvimento por "devastar a infraestrutura já debilitada de Gaza".
"Acabaram com sua base produtiva, não deixaram tempo para uma reconstrução ou uma recuperação econômica significativa e empobreceram a população palestina em Gaza, de modo que seu bem-estar econômico piorou com relação ao nível de duas décadas atrás", indica o relatório.
A situação se agravou com a última operação militar de 2014 que causou o deslocamento de 500 mil pessoas e a destruição ou danos graves a 20 mil casas, 148 escolas, 15 hospitais e 45 centros de atendimento de saúde.
O documento da Unctad lembra que três anos antes do último conflito, a ONU realizou um estudo para fazer a previsão das condições em 2020 no enclave litorâneo, onde era esperado um aumento da população de 1,6 milhão para 2,1 milhões de habitantes.
A pesquisa concluía que para Gaza ser um lugar habitável, "necessitaria acelerar 'esforços hercúleos' em setores como a saúde, a educação, a energia, a água e o saneamento".
O documentos adverte que "o apoio dos doadores é necessário mas não suficiente para a recuperação e o desenvolvimento da Faixa de Gaza" e destaca o fato de que em maio deste ano nenhuma das casas danificadas tinha sido reconstruída e nem tinham sido alcançados progressos na melhora das infraestruturas afetadas.Mas, em vez destes esforços, "a tragédia de Gaza se deteriorou e a destruição de 2014 acelerou a reversão de seu desenvolvimento", critica.
Em maio, só tinham sido desembolsados 27% dos US$ 5 bilhões prometidos na conferência do Cairo para a Palestina. Desse valor, US$ 3,5 bilhões foram destinados à reconstrução da Faixa após o cessar-fogo que pôs fim em agosto de 2014 a 51 dias de enfrentamentos entre Israel e as milícias palestinas, que causaram a morte de mais de 2,2 mil palestinos e 73 israelenses.
"Para o povo palestino é muito mais necessário assegurar seu direito humano ao desenvolvimento em virtude do direito internacional que a ajuda dos doadores", afirma o documento, que ressalta a capacidade de "auto-suficiência dos cidadãos", "impossível", no entanto, "sob as condições do bloqueio e a destruição periódica da infraestrutura e os ativos privados".
"Se continuar assim, Gaza voltará a ser economicamente inviável e as condições socioeconômicas já sombrias podem se deteriorar".
"O resultado provável serão mais conflitos, pobreza em massa, alto desemprego, escassez de eletricidade e água potável, assistência sanitária insuficiente e uma infraestrutura em vias do colapso. Definitivamente, Gaza será inabitável", sentencia o documento.
Fonte: G1 Mundo
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