O mundo abriga a maior população de jovens de toda a história – 1,8 bilhão de pessoas têm entre dez e 24 anos de idade. Desse contingente, 90% vivem em países em desenvolvimento, onde serão necessários mais investimentos para explorar o potencial da juventude. Cerca de 515 milhões de jovens vivem com menos de dois dólares por dia e, em economias emergentes, 60% ou não possuem emprego formal, ou não estão matriculados na escola.
Para debater esses e outros desafios e discutir o papel dos jovens no cumprimento dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), as Nações Unidas trouxeram para o Rio de Janeiro, sede dos Jogos Olímpicos de 2016, as comemorações do Dia Internacional da Juventude.
Nesta segunda-feira (15), dirigentes da ONU se encontram com cerca de 200 jovens brasileiros de diferentes perfis sociais e outros convidados na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), parceira do organismo internacional.
Em 2016, o tema das celebrações da data — “Juventudes, Esporte e Desenvolvimento: Rota para 2030” — foi inspirado pelas competições esportivas que tomam conta da capital fluminense em agosto e setembro.
“A população jovem é diretamente afetada pelas contradições trágicas que prevalecem hoje: entre a pobreza abjeta e a riqueza ostentosa, a fome persistente e o desperdício vergonhoso de comida, recursos naturais abundantes e indústrias poluentes”, destaca o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.
Para o chefe das Nações Unidas, “quando investimos na juventude, ela pode contribuir para a formação de novos mercados, trabalho decente, comércio justo, moradia, transporte e turismo sustentáveis, entre outras oportunidades que beneficiam o planeta e as pessoas”.
O enviado especial do secretário-geral para a Juventude, Ahmad Alhendawi, ressalta que "os valores e princípios olímpicos do espírito esportivo e o jogo limpo promovem tolerância, entendimento mútuo e paz".
"Peço a todas e todos os jovens atletas que abracem e promovam os valores da cidadania global. Milhões de seus pares admiram vocês como modelos", convoca o representante da ONU.
Já o assessor especial de Ban sobre o Esporte para o Desenvolvimento e a Paz, Wilfried Lemke, explica que "o esporte é universal, promove inclusão e igualdade e inspira as gerações mais novas de todo o mundo a tomar decisões sustentáveis em suas vidas e projetos".
"Em algumas situações, o esporte oferece aos jovens ambientes seguros, afastados das realidades dolorosas e duras de suas vidas cotidianas, expandindo suas possibilidades de vida para além de comportamentos desviantes", afirma.
Brasil e países devem investir em educação e saúde sexual para aproveitar o bônus demográfico
Para o diretor-executivo do Fundo de População das Nações Unidas (UNFPA), Babatunde Osotimehin, o número sem precedentes de adolescentes e jovens exige dos países uma ampliação dos recursos investidos em saúde e educação.
No Brasil, por exemplo, 20% das e dos jovens de 15 a 29 anos – que representam 16,5% da população, ou 33,5 milhões de indivíduos – não estudam nem trabalham. Desse grupo, 63% são negros e/ou mulheres, segundo dados de 2014 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
“É crucial que as leis e as políticas públicas nacionais estejam orientadas a fortalecer as trajetórias juvenis, oferecendo-lhes um ambiente favorável para construírem seus projetos de vida, para fazerem escolhas conscientes, bem como as condições necessárias para transitarem de forma segura e saudável da adolescência para a idade adulta”, afirma Osotimehin.
Um quinto das mães brasileiras tem menos de 19 anos e 40% delas abandonam a escola por causa da maternidade. De acordo com o Ministério da Saúde, em 2014 nasceram 28.244 crianças cujas mães têm entre 10 e 14 anos e outras 534.364 crianças têm mães com idade entre 15 e 19 anos. Garantir que as pessoas jovens tenham acesso pleno a direitos sexuais e reprodutivos é fundamental para que eles possam introduzir soluções inovadoras nas sociedades e contribuir para a Agenda 2030 das Nações Unidas.
“É essencial a concretização dos direitos dos jovens de participar da vida política, econômica e social em suas comunidades e países, de tomar decisões informadas e livres sobre seus corpos, sexualidade e reprodução sem discriminação, violência e coerção”, alerta o chefe do Fundo da ONU.
Para o presidente da Fiocruz, Paulo Gadelha, “neste momento em que o Rio de Janeiro sedia as Olimpíadas, encontro que por meio do esporte expressa a celebração da paz, da vida e do respeito às diferenças culturais, sociais, de gênero e raça, a Fundação tem a honra de abrigar a celebração do "Dia Internacional da Juventude", patrocinado pela ONU. Nossa instituição há muitos anos promove projetos sociais com jovens das comunidades do seu entorno e os acolhe em iniciativas que visam combater as iniquidades. Valorizar o protagonismo e a centralidade da participação dos jovens na construção de um mundo melhor, mais justo e mais saudável é um compromisso da Fundação Oswaldo Cruz”.
Fonte: UNESCO Brasil
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