Entidade da ONU estima que mais de 30 mil venezuelanos já fugiram para o Brasil
A ONU alerta para uma
“explosão” no número de refugiados venezuelanos e um fluxo inédito de pessoas
que buscam asilo em países da região. Dados divulgados nesta sexta-feira, 14,
pelas Nações Unidas apontam que, nos seis primeiros meses de 2017, 52 mil venezuelanos
pediram asilo no exterior. Em 2016, foram 27 mil. No total, mais de
30 mil venezuelanos estariam vivendo no Brasil, muitos deles de forma
irregular.
“Considerando a situação na Venezuela,
projeta-se que as pessoas continuarão a deixar o país”, alertou o Alto
Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur). A entidade indicou que está
incrementando sua presença na região, já prevendo um fluxo ainda maior de
refugiados e imigrantes.
A ONU apelou para que
governos não expulsem venezuelanos de volta ao seu país de origem neste momento
e ajudem essa população a regularizar sua situação, mesmo que sejam recusados
como refugiados. Na avaliação da entidade, uma repatriação poderia “ajudar a
desestabilizar” a Venezuela.
Oficialmente, o
principal país de destino dos venezuelanos tem sido os EUA, com 18,3 mil
pedidos de asilo apenas em 2017. O Brasil, porém, vem em segundo lugar; apenas
em seis meses, foram 12,9 mil solicitações oficiais. Na Argentina, outros 11,7
mil pediram asilo, contra 4,3 mil na Espanha. No total, 15 países receberam
pedidos de refúgio por parte dos venezuelanos.
Apesar do salto, a
ONU alerta que esses números representam “apenas uma fração do total de
venezuelanos que estejam precisando de proteção internacional, já que muitos
não se registram, mesmo que tenham declarado que fugiram por conta da
violência, insegurança e da incapacidade diária de atender a suas necessidades
de subsistência”.
De acordo com a ONU,
os países latino-americanos têm se mostrado generosos. Mas, diante dos
obstáculos burocráticos, longos períodos de espera estão sendo registrados,
além de taxas altas que cobram os governos para processar o pedido de asilo. Na
avaliação do porta-voz do Acnur, William Spindler, isso está levando muitos
venezuelanos a “permanecer em uma situação irregular”, ao invés de usar os
mecanismos legais.
“Estima-se que entre
os 300 mil venezuelanos na Colômbia, 40 mil em Trinidad e 30 mil no Brasil,
muitos estejam em situação irregular”, afirmou. De acordo com Spindler, a
entidade está trabalhando com os países da região para incrementar os
registros, reforçar a capacidade de recepção e dar assistência humanitária.
“Diante do grande número de chegadas, esses três países
começaram a implementar planos de respostas”, explicou, indicando que Brasil e
Colômbia têm tentado coordenar suas estratégias.
O Acnur ainda destaca
que, no Brasil, a entidade está disponibilizando recursos para que ações sejam
realizadas em Boa Vista, Pacaraima e Manaus. A Polícia Federal, com a ajuda da
ONU, enviou um número maior de oficiais para Roraima para ajudar no registro de
pedidos de asilo.
Ainda assim, a ONU
está preocupada com a segurança desses refugiados, falta de documentação,
violência sexual, exploração e abusos, além de falta de serviços. “Em certas
áreas, grupos armados e criminosos estão explorando os venezuelanos”, alertou.
O caso dos grupos
indígenas que vivem entre Brasil e Venezuela também é de especial interesse
para a ONU, que insiste que essas comunidades precisam contar com uma resposta
diferenciada. “O Acnur reitera seu apelo para que os Estados protejam os
direitos dos venezuelanos, em especial o direito a pedir asilo”, disse
Spindler. A ONU também apelou para que governos não expulsem venezuelanos de
volta ao seu país de origem neste momento e ajudem essa população a regularizar
sua situação.
Fonte: http://internacional.estadao.com.br/noticias/geral,onu-estima-que-30-mil-venezuelanos-ja-fugiram-ao-brasil-e-que-fluxo-vai-aumentar,70001890102