terça-feira, 10 de setembro de 2013

União Africana (UA)

Abrindo o bloco sobre a União Africana, a aluna Ana Carolina Monéia realizou uma apresentação de um texto na reunião do dia 23/08 sobre essa organização que não é tão discutida e estudada na atualidade. Confira a seguir o resumo sobre o texto e apresentação e conheça mais sobre a UA!

Resumo da reunião de estudos do texto: União Africana: possibilidades e desafios, de Cláudio Oliveira Ribeiro  (p. 1-4)

Renato Henrique Valenzola 1

A título de introdução, discutiu-se de que maneira o passado colonial africano influenciou na atual conjuntura de alocação de interesses dentro da África. É sabido que, do final do século XIX até o início da Guerra Fria, a África passou por um processo tardio de colonização, o qual realocou antigos inimigos sob o domínio de exploradores comuns e determinou novas fronteiras físicas artificiais. Tais fronteiras foram definidas pelo Tratado de Berlim, de 1985, e refletem na alocação de interesses porque povos com diferenças étnicas e históricas foram unidos dentro de um mesmo território, contudo, sem caracterizar uma nação. Daí, entendemos alguns dos fatores para as diversas guerras civis desencadeadas no continente.
Mais que isso, após as independências, houve na grande parte dos países africanos a instauração de regimes autoritários, os quais vimos cair uns dos últimos bastiões durante a recente “Primavera Árabe”. Esses governos levaram, em sua maioria, à adoção de sistemas de Estado patrimonialistas, nepotistas, tribais e de corrupção generalizada, sendo que, por vezes, intervenções militares permearam o decorrer das falaciosas histórias de independência dos países. De fato, as sociedades africanas saíram de um estado de exploração estrangeira para outro em que a exploração ocorre pelas mãos do próprio estamento nacional, gerando abismos entre os ricos e os pobres sem que haja grande contestação por falta de coesão social, dada a segmentação da sociedade. Muitos dos ditadores vêm sendo substituídos nessa virada de século. Entretanto, vem se observando mais do mesmo, posta a continuidade da conjuntura.
No sentido de buscar inserção internacional, realizou-se na África, em 1955, a Conferência de Bandung, a qual firmou alguns postulados: A participação no Sistema Internacional, a recusa aos blocos existentes, o apoio à descolonização, a contrariedade à segregação racial e o apoio às formas pacificas de resoluções de problemas internacionais. Na mesma direção, foi um passo importante para a afirmação da África como participante das dinâmicas do Sistema Internacional a realização da Declaração de Garantia de Independência dos Países Coloniais, no âmbito da ONU, já em 1960, a qual fundamentava a condição autônoma dos países africanos, logo, consolidando sua situação para longe de seu passado de exploração.
Em 25 de maio de 1963 deu-se a fundação da Organização da Unidade Africana (OUA). Nela, 30 países uniam-se em favor de dos seguintes propósitos: Intensificar a unidade africana e a cooperação entre os membros; defender a soberania, a integridade do território e a independência dos Estados; eliminar do colonialismo da África; cooperação internacionalmente e coordenar as decisões dos Estados membros nas esferas política, diplomática, econômica, educacional, cultural, da saúde, bem estar, ciência, técnica e de defesa. Sem dúvida, objetivos audaciosos e bastante abrangentes. Contudo, podemos verificar nesta Organização Internacional que seu surgimento em muito se relaciona com a afirmação da soberania dos países frente a um passado de colonialismo.
Passo importante da OUA foi a criação, à semelhança da Comunidade Econômica Europeia, da Comunidade Econômica Africana (CEA), em 1991. Isso demonstra que, embora a OUA se proponha independente da influência europeia por razão do colonialismo, em grande medida, a instituição africana se espelha nas instituições europeias para moldar seu formato de coordenação e organização, inclusive no que tange aos assuntos econômicos.
Em 2001, a organização estabelece-se da maneira que é conhecida hoje. Deixa de ser OUA para se chamar União Africana (UA), com sede em Addis Abeba, na Etiópia, já com 53 membros e incorporando a CEA a seu organismo. Sua estrutura central envolve a Assembleia Geral dos Estados, seu órgão superior, o Conselho Executivo e uma Comissão com função de secretariado. Além disso, há várias comissões técnicas, especializadas em diferentes áreas: A Comissão de Economia Rural e Agrícola; a Comissão dos Assuntos Monetários e Financeiros; a Comissão do Comércio, Alfândegas e os assuntos da imigração; a Comissão da Indústria, Ciência e Tecnologia, Energia, Recursos Naturais e Meio Ambiente; a Comissão dos Transportes, Comunicações e Turismo; a Comissão da Saúde, Trabalho e Assuntos Sociais, e a Comissão de Educação, Cultura e Recursos Humanos.
A Organização surge, inclusive, com o objetivo de adotar uma moeda única africana, também a exemplo do que ocorre na Europa. Isso não ocorreu ainda e parece ser um passo distante na caminhada da organização. Contudo, a mesma já instituiu três instituições econômicas: O Banco Central Africano, o Fundo Monetário Africano e o Banco Africano de Investimento.
Embora com uma proposta mais bem estruturada, os termos em que se coloca a UA são idênticos aos que se colocava a OUA. Ambas instituições procuram a coordenação no continente africano em muitos temas, porém sem que os Estados se sintam obrigados a realizar qualquer determinação devido a um passado de forte ingerência externa. Nos parece que a abrangência da atuação a que se propõe a UA conflita com esse receio em se aventurar em uma empreitada sem limitar a autonomia estatal em última instancia.
Essa questão quanto ao limite intrínseco da UA a atingir seus objetivos devido a seu passado de colonização e as próprias formações sociais dissonantes internas aos Estados foram amplamente discutidas durante a reunião, tentando, inclusive, prospectar o limite para a atuação da OI e avaliando seu histórico de atuação até aqui. A democracia como fator de relevância para a atuação da ONG também foi ponto chave da discussão. Hoje, Guiné, Madagascar, Niger, Mali e Egito estão suspensos da Organização devido à ocorrência de Golpe de Estado em seus respectivos territórios em 2008, 2009, 2010, 2012 e 2013, também respectivamente. 

Na próxima reunião o afastamento do Egito da UA será o tema de discussão!

    Membros suspensos:
     Guiné - suspenso depois do Golpe de Estado de 2008.
 Madagáscar - suspenso depois do Golpe de Estado de 2009.
     Níger - suspenso depois do Golpe de Estado de 2010.
     Mali - suspenso depois do Golpe de Estado de 2012.
     Egito - suspenso depois do Golpe de Estado de 2013.
__________________________
Nota:

Graduando do curso de Relações Internacionais na Unesp-FFC Marília e membro efetivo do Grupo de Estudos e Pesquisas em Organizações Internacionais (http://plsql1.cnpq.br/buscaoperacional/detalhepesq.jsp?pesq=6120166601512351)
-