A
trégua na Ucrânia mantém-se já a segunda semana. Mas os especialistas são muito
cautelosos em suas previsões. Até agora, de ambos os lados ouvem-se
periodicamente tiros e explosões de obuses, pessoas estão morrendo.
Assim
que não se pode falar de um cessar-fogo completo. São ainda mais alarmantes as
declarações das autoridades de Kiev sobre fornecimentos de armas de países da
OTAN à Ucrânia. Segundo o ministro da Defesa ucraniano, Valeri Geletei, esse
processo já foi lançado.
Kiev
está dividido. Numa mesa de negociações as autoridades ucranianas estão
discutindo com parceiros estrangeiros e representantes do Sudeste meios para
uma solução pacífica para o conflito, e em outra, ao mesmo tempo, estão fazendo
planos militares. No fim de semana passado, o ministro da Defesa Valeri
Geletei, falando numa estação de televisão local, informou que já começaram a
chegar ao país armas de países membros da OTAN:
“Eu
estive na cúpula da OTAN com o presidente da Ucrânia que fez tudo para que eu
lá estivesse. Eu falei em formato fechado com os ministros da Defesa dos
principais países, de países avançados, aqueles que nos podem ajudar. E eles
ouviram-nos. Eu dizia “acudam!”. E o processo de transferência de armas
começou. Estou certo de que este é o caminho a seguir”.
Esta
não é a primeira vez que figuras ucranianas afirmam ter alcançado acordos com
membros da Aliança do Atlântico Norte (OTAN) sobre fornecimentos de armas. A
isso aludiu o presidente Piotr Poroshenko. Falou disso em detalhe o seu
assessor, ex-ministro do Interior, Yuri Lutsenko. Os países da OTAN tentaram
refutar essas alegações negando tanto a existência de acordos como o fato de
que esta questão foi levantada de todo na cúpula no País de Gales (Reino
Unido). Mas as autoridades ucranianas continuam a insistir que os acordos
existem e já estão começando a ser implementados. E nessas palavras de Kiev não
há nada de duvidoso, nota o analista político Igor Shishkin:
“Tendo
em conta que o exército ucraniano sofreu grandes perdas no sudeste do país, não
é possível restaurar a capacidade de combate das unidades apenas por meio de
mobilização. São necessários novos equipamentos. As fábricas ucranianas não
estão em condições de fornecer esses equipamentos depressa. Neste contexto, já
foi relatado que a Ucrânia irá receber equipamentos soviéticos usados de
antigos países do Pacto de Varsóvia (países socialistas da Europa do Leste).
Em
particular, foi relatado que os Estados Unidos propuseram à Croácia enviar à
Ucrânia helicópteros Mi-8 e receber em troca helicópteros usados
norte-americanos. Por conseguinte, outros também podem adotar o mesmo esquema.
Não se trata de equipamentos ocidentais modernos, porque então seria necessário
treinar os militares de novo e arranjar outras munições. Trata-se de
equipamentos soviéticos antigos, aos quais os militares na Ucrânia estão
habituados e para os quais lá existe infraestrutura”.
Mas
se estão armando a Ucrânia, então a atual trégua é muito precária, não
confiável. Kiev concordou com ela quando a situação na frente mudou claramente,
e não em seu favor. Mas não sabemos para que lado se inclinará a balança quando
as posições militares de Kiev receberem reforços. Moscou prefere manter uma
esperança cautelosamente otimista de que prevalecerá o bom senso e a
honestidade das autoridades ucranianas e de seus patrocinadores ocidentais.
Mas todos se lembram como este ano a Ucrânia já violou
suas próprias promessas, garantidas por assinaturas de políticos ocidentais.
Não é de excluir que o mesmo destino espera o atual plano de paz. Mas não é só
Kiev que o está transformando numa farsa, mas também os países da OTAN que
falam de paz, mas com seus fornecimentos de armas estão abertamente preparando
a Ucrânia para a guerra.
Fonte: Voz da Rússia
