sábado, 6 de dezembro de 2014

OTAN e o Pacto de Varsóvia



Na obra "Otan y el Pacto de Varsovia", busca-se compreender de que maneira configurou-se, após a segunda guerra mundial, a divisão do mundo em dois blocos antagônicos durante a guerra fria, focando-se principalmente na importância que a OTAN e o Pacto de Varsóvia tiveram na configuração da geopolítica internacional, compreendendo, desta forma, como estas organizações surgiram, seus termos principais, funções e área de influencia.
Sendo assim, em um primeiro recuo ao fim da segunda guerra mundial, o autor apresenta o atual cenário internacional de seus estudos. Neste momento histórico destaca-se que o mundo começava a polarizar-se em duas forças opostas, o mundo oriental, consagrado na união soviética aparecia como um agente grandemente forte e influente no cenário internacional, gerando, desta forma, cada vez maior inimizade e antagonismo pelos países ocidentais capitalistas que viam na URSS um inimigo em potencial, visto as diversas diferenças politicas, ideológicas e econômicas que pautavam as duas sociedades.
A maior potencia ocidental da época, os EUA, percebendo o contexto favorável para ampliação de seu poderio politico na Europa (Onde muitos dos países se encontravam destruídos após a segunda guerra mundial) e a ampliação do poderio soviético, lançou mão de um projeto econômico visando auxiliar os países da Europa ocidental a reconstruir suas nações, colocando, desta forma, aqueles envolvidos no plano cada vez mais vinculados e submissos ao poderio estadunidense.
Tal dinâmica apenas ampliou-se, a possibilidade de estabelecer uma homogeneidade politica na Europa era em muito interessante aos EUA, e, em grande medida, os países ocidentais europeus possuíam grande receio frente ao crescente poder soviético tão próximo a seus territórios. Portanto, em 1949, respondendo a estes interesses, é criada a OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, organização esta que visava criar uma área de segurança e cooperação militar una, capaz de fazer frente às ameaças do bloco rival.
A OTAN, desta forma, nasce através de um tratado internacional pautado pela assistência mutua, ou seja, se um país é atacado, este ataque é considerado como uma afronta a todos os países da organização, sendo assim, passível de resposta conjunta por parte dos membros. O surgimento da OTAN fortalece e estabelece limites na área de influencia ocidental, deixando o bloco mais unido e coeso.
A capacidade nuclear dos EUA, vinculada a proteção da OTAN dava aos EUA uma certa segurança a nível internacional frente ao bloco soviético. Se em muito era verdade que os dois lados não intensificavam o conflito graças ao medo de represália do outro, neste momento histórico em especifico o bloco capitalista possuía maior capacidade politica e a proteção do bloco OTAN. Entretanto, nos primeiros anos da década de 50 o cenário muda fortemente.
Em primeiro lugar, a guerra da Coréia trouxe à tona as limitações do poderio militar dos EUA, que eram incapazes de resolver o problema usando seus meios militares convencionais e, mais que isso, também neste espaço de tempo a China também inicia sua revolução e se revela como um país comunista. É digno de nota também o fato de que a URSS passou, neste mesmo espaço de tempo, a desenvolver seu próprio poderio militar nuclear, podendo fazer frente ao bloco capitalista, e neutralizar a vantagem que estes possuíam.
Neste contexto, soma-se ao que já foi mencionada, a resposta direta à formação da OTAN por parte do bloco socialista: A formação do Pacto de Varsóvia. Este bloco, que em sua própria carta explicitava a criação deste como uma resposta à zona militarizada promovida pela OTAN, entretanto, é importante notar, que as características e artigos do Pacto em muito se assemelhavam a proposta da OTAN, surgindo exatamente para gerar um ponto contrario para a organização soviética, a mesma assistência mutua armada era descrita e os princípios base os mesmos.
Entendendo que por muitas vezes os blocos se assemelhavam, a pesar de antagônicos, em um ponto fundamental, segundo o autor os dois se distanciavam. A liberdade que os países periféricos do bloco gozavam. Enquanto no bloco capitalista por inúmeras vezes os países membros do bloco submissos ao interesse dos EUA se mostraram contrários às propostas estadunidenses, culminando inclusive no desenvolvimento de plantas nucleares paralelas na França e Inglaterra, no bloco soviético aqueles que colocavam contrários ao regime comunista eram rapidamente subjugados frente ao punho de ferro da URSS, que não aceitava outro projeto de estados e bloco diferente do seu. Isso gerava, é importante notar uma situação diferente em como os países se preparariam para um conflito direto. Se, exatamente por prezar por homogeneidade e unidade o bloco soviético possuía uma resposta mais rápida, o bloco ocidental por promover a integração dos diferentes gerava conflitos em decisões estratégicas.

Ao final do texto, destaca-se este contexto conflitivo se intensificava, sempre existindo o interesse de um lado de neutralizar ou eliminar o outro, mas entendendo que qualquer ação seria passível de reação que poderia escalonar ao conflito nuclear capaz de destruir toda a humanidade. Entender que as relações que de longe pareciam congeladas na verdade estavam sempre próximas da aniquilação completa da humanidade é necessário ao se analisar o cenário e a formulação da politica internacional da época, centrada em duas estruturas supranacionais.

Texto escrito por João Pedro Falcão.

Fonte: SALOM, J. La; "Otan y el Pacto de Varsovia" - Historia del siglo XX; Madrid, 1998. 
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