Na obra "Otan y el Pacto de Varsovia", busca-se compreender de que maneira configurou-se, após a segunda guerra mundial, a divisão do mundo em dois blocos antagônicos durante a guerra fria, focando-se principalmente na importância que a OTAN e o Pacto de Varsóvia tiveram na configuração da geopolítica internacional, compreendendo, desta forma, como estas organizações surgiram, seus termos principais, funções e área de influencia.
Sendo assim, em um primeiro recuo
ao fim da segunda guerra mundial, o autor apresenta o atual cenário
internacional de seus estudos. Neste momento histórico destaca-se que o mundo
começava a polarizar-se em duas forças opostas, o mundo oriental, consagrado na
união soviética aparecia como um agente grandemente forte e influente no
cenário internacional, gerando, desta forma, cada vez maior inimizade e
antagonismo pelos países ocidentais capitalistas que viam na URSS um inimigo em
potencial, visto as diversas diferenças politicas, ideológicas e econômicas que
pautavam as duas sociedades.
A maior potencia ocidental da
época, os EUA, percebendo o contexto favorável para ampliação de seu poderio
politico na Europa (Onde muitos dos países se encontravam destruídos após a
segunda guerra mundial) e a ampliação do poderio soviético, lançou mão de um
projeto econômico visando auxiliar os países da Europa ocidental a reconstruir
suas nações, colocando, desta forma, aqueles envolvidos no plano cada vez mais
vinculados e submissos ao poderio estadunidense.
Tal dinâmica apenas ampliou-se, a
possibilidade de estabelecer uma homogeneidade politica na Europa era em muito
interessante aos EUA, e, em grande medida, os países ocidentais europeus
possuíam grande receio frente ao crescente poder soviético tão próximo a seus
territórios. Portanto, em 1949, respondendo a estes interesses, é criada a
OTAN, Organização do Tratado do Atlântico Norte, organização esta que visava
criar uma área de segurança e cooperação militar una, capaz de fazer frente às
ameaças do bloco rival.
A OTAN, desta forma, nasce
através de um tratado internacional pautado pela assistência mutua, ou seja, se
um país é atacado, este ataque é considerado como uma afronta a todos os países
da organização, sendo assim, passível de resposta conjunta por parte dos
membros. O surgimento da OTAN fortalece e estabelece limites na área de
influencia ocidental, deixando o bloco mais unido e coeso.
A capacidade nuclear dos EUA,
vinculada a proteção da OTAN dava aos EUA uma certa segurança a nível
internacional frente ao bloco soviético. Se em muito era verdade que os dois
lados não intensificavam o conflito graças ao medo de represália do outro,
neste momento histórico em especifico o bloco capitalista possuía maior
capacidade politica e a proteção do bloco OTAN. Entretanto, nos primeiros anos
da década de 50 o cenário muda fortemente.
Em primeiro lugar, a guerra da
Coréia trouxe à tona as limitações do poderio militar dos EUA, que eram
incapazes de resolver o problema usando seus meios militares convencionais e,
mais que isso, também neste espaço de tempo a China também inicia sua revolução
e se revela como um país comunista. É digno de nota também o fato de que a URSS
passou, neste mesmo espaço de tempo, a desenvolver seu próprio poderio militar
nuclear, podendo fazer frente ao bloco capitalista, e neutralizar a vantagem
que estes possuíam.
Neste contexto, soma-se ao que já
foi mencionada, a resposta direta à formação da OTAN por parte do bloco
socialista: A formação do Pacto de Varsóvia. Este bloco, que em sua própria
carta explicitava a criação deste como uma resposta à zona militarizada
promovida pela OTAN, entretanto, é importante notar, que as características e
artigos do Pacto em muito se assemelhavam a proposta da OTAN, surgindo
exatamente para gerar um ponto contrario para a organização soviética, a mesma
assistência mutua armada era descrita e os princípios base os mesmos.
Entendendo que por muitas vezes
os blocos se assemelhavam, a pesar de antagônicos, em um ponto fundamental,
segundo o autor os dois se distanciavam. A liberdade que os países periféricos
do bloco gozavam. Enquanto no bloco capitalista por inúmeras vezes os países
membros do bloco submissos ao interesse dos EUA se mostraram contrários às
propostas estadunidenses, culminando inclusive no desenvolvimento de plantas
nucleares paralelas na França e Inglaterra, no bloco soviético aqueles que
colocavam contrários ao regime comunista eram rapidamente subjugados frente ao
punho de ferro da URSS, que não aceitava outro projeto de estados e bloco
diferente do seu. Isso gerava, é importante notar uma situação diferente em
como os países se preparariam para um conflito direto. Se, exatamente por
prezar por homogeneidade e unidade o bloco soviético possuía uma resposta mais
rápida, o bloco ocidental por promover a integração dos diferentes gerava
conflitos em decisões estratégicas.
Ao final do texto, destaca-se
este contexto conflitivo se intensificava, sempre existindo o interesse de um
lado de neutralizar ou eliminar o outro, mas entendendo que qualquer ação seria
passível de reação que poderia escalonar ao conflito nuclear capaz de destruir
toda a humanidade. Entender que as relações que de longe pareciam congeladas na
verdade estavam sempre próximas da aniquilação completa da humanidade é
necessário ao se analisar o cenário e a formulação da politica internacional da
época, centrada em duas estruturas supranacionais.
Texto escrito por João Pedro Falcão.
Fonte: SALOM, J. La; "Otan y el Pacto de Varsovia" - Historia del siglo XX; Madrid, 1998.
