sexta-feira, 21 de julho de 2017

Madura ignora apelos de organizações internacionais e oposição faz greve geral


O presidente venezuelano ignorou os apelos da comunidade internacional e a mensagem das forças opositoras na mobilização maciça do último domingo. Nicolás Maduro não está disposto a renunciar à eleição da Assembleia Nacional Constituinte convocada para o dia 30 apesar do pedido de milhões de cidadãos, chavistas desencantados com o desvirtuamento do regime e as ameaças de sanções dos Estados Unidos.
"Esta iniciativa não pertence mais a mim, está nas mãos do povo”. Foi a resposta do presidente venezuelano aos cada vez mais insistentes pedidos de Governos estrangeiros e personalidades de organismos multilaterais para que suspenda a convocatória da Assembleia Nacional Constituinte. Maduro falou durante o ato de instauração do Conselho Nacional de Defesa (uma instância ad hoc, sendo a terceira reunida por Maduro) no Palácio Presidencial de Miraflores na terça-feira em Caracas.
A menos de duas semanas da eleição da criticada Assembleia Constituinte, Maduro procura garantir o cumprimento da convocatória. O período coincide com a chamada Hora Zero da oposição, que convocou uma greve geral de 24 horas para hoje. Entretanto, pela ação espontânea de grupos que se autodenominam da resistência, já desde terça-feira permanecem bloqueadas extensas áreas no leste de Caracas e em outras cidades do país. Em vários bairros de Caracas, as forças de segurança do governo entraram em choque com os manifestantes.
O Governo de Washington instou as autoridades venezuelanas a considerarem o resultado do plebiscito simbólico e advertiu que está pronto para iniciar “rápidas e fortes ações” de ordem econômica se Caracas não cancelar a eleição da Constituinte. As medidas dos Estados Unidos contra a Venezuela incluem o congelamento de bens de líderes do chavismo – foram mencionados como integrantes da ainda desconhecida lista o ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, e o primeiro vice-presidente do partido de Governo, Diosdado Cabello –, o confisco dos negócios da petroleira venezuelana PDVSA nos Estados Unidos e até um embargo aberto às compras de petróleo desse país.
Apesar de seu discurso manter um perfil eminentemente internacional, a primeira medida decidida no Conselho de Defesa e anunciada por Maduro é de ordem interna: a ativação do que chamou “um plano de justiça emergencial para garantir a paz”. Conforme antecipou, a Justiça militar terá um papel primordial nessa operação, orientada a facilitar “a busca e captura dos grupos que atentarem contra a estabilidade do país”.
Numerosos grupos de direitos humanos e o próprio secretário geral da Organização de Estados Americanos (OEA), Luis Almagro, denunciaram a prática das autoridades venezuelanas de levar dissidentes civis e manifestantes à Justiça militar, que se tornou especialmente recorrente desde o início da onda de protestos em todo o país em 1º de abril.
Além disso, o Mercosul também pressiona a Venezuela para suspender a eleição da Constituinte. Os presidentes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, os quatro membros plenos do bloco regional sul-americano, pediram no dia 20 a Maduro que suspenda a eleição da Assembleia Constituinte prevista para 30 de julho. O vice-chanceler argentino, Guillermo Raimundi, adiantou o conteúdo do texto que será assinado no dia 21 pelos presidentes reunidos na província de Mendoza, na Argentina. “O pedido é que a Venezuela se abstenha de convocar essa eleição porque é um passo na direção não desejada, que é a do diálogo entre as partes em conflito”, disse o diplomata.

Fontes: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/19/internacional/1500500774_658700.html e https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/20/internacional/1500576052_135499.html
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