O presidente venezuelano
ignorou os apelos da comunidade internacional e a mensagem das forças
opositoras na mobilização maciça do último domingo. Nicolás Maduro não está
disposto a renunciar à eleição da Assembleia Nacional Constituinte convocada
para o dia 30 apesar do pedido de milhões de cidadãos, chavistas desencantados com
o desvirtuamento do regime e as ameaças de sanções dos Estados Unidos.
"Esta iniciativa não
pertence mais a mim, está nas mãos do povo”. Foi a resposta do presidente
venezuelano aos cada vez mais insistentes pedidos de Governos estrangeiros e
personalidades de organismos multilaterais para que suspenda a convocatória da
Assembleia Nacional Constituinte. Maduro falou durante o ato de instauração do
Conselho Nacional de Defesa (uma instância ad hoc, sendo a terceira reunida por
Maduro) no Palácio Presidencial de Miraflores na terça-feira em Caracas.
A menos de duas semanas da
eleição da criticada Assembleia Constituinte, Maduro procura garantir o
cumprimento da convocatória. O período coincide com a chamada Hora Zero da
oposição, que convocou uma greve geral de 24 horas para hoje. Entretanto, pela
ação espontânea de grupos que se autodenominam da resistência, já desde
terça-feira permanecem bloqueadas extensas áreas no leste de Caracas e em
outras cidades do país. Em vários bairros de Caracas, as forças de segurança do
governo entraram em choque com os manifestantes.
O Governo de Washington
instou as autoridades venezuelanas a considerarem o resultado do plebiscito
simbólico e advertiu que está pronto para iniciar “rápidas e fortes ações” de
ordem econômica se Caracas não cancelar a eleição da Constituinte. As medidas
dos Estados Unidos contra a Venezuela incluem o congelamento de bens de líderes
do chavismo – foram mencionados como integrantes da ainda desconhecida lista o
ministro da Defesa, general Vladimir Padrino, e o primeiro vice-presidente do
partido de Governo, Diosdado Cabello –, o confisco dos negócios da petroleira
venezuelana PDVSA nos Estados Unidos e até um embargo aberto às compras de
petróleo desse país.
Apesar de seu discurso
manter um perfil eminentemente internacional, a primeira medida decidida no
Conselho de Defesa e anunciada por Maduro é de ordem interna: a ativação do que
chamou “um plano de justiça emergencial para garantir a paz”. Conforme
antecipou, a Justiça militar terá um papel primordial nessa operação, orientada
a facilitar “a busca e captura dos grupos que atentarem contra a estabilidade
do país”.
Numerosos grupos de
direitos humanos e o próprio secretário geral da Organização de Estados
Americanos (OEA), Luis Almagro, denunciaram a prática das autoridades
venezuelanas de levar dissidentes civis e manifestantes à Justiça militar, que
se tornou especialmente recorrente desde o início da onda de protestos em todo
o país em 1º de abril.
Além disso, o Mercosul
também pressiona a Venezuela para suspender a eleição da Constituinte. Os
presidentes de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, os quatro membros plenos
do bloco regional sul-americano, pediram no dia 20 a Maduro que suspenda a
eleição da Assembleia Constituinte prevista para 30 de julho. O vice-chanceler
argentino, Guillermo Raimundi, adiantou o conteúdo do texto que será assinado
no dia 21 pelos presidentes reunidos na província de Mendoza, na Argentina. “O
pedido é que a Venezuela se abstenha de convocar essa eleição porque é um passo
na direção não desejada, que é a do diálogo entre as partes em conflito”, disse
o diplomata.
Fontes: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/19/internacional/1500500774_658700.html
e https://brasil.elpais.com/brasil/2017/07/20/internacional/1500576052_135499.html
