Os governos mexicanos vêm
cumprindo papel de aliado dos Estados Unidos no processo de integração
econômica das Américas, aderindo ao Nafta e também ajudando na tentativa de
consolidação dos projetos do Corredor Biológico Mesoamericano e do Plano
Puebla-Panamá. O projeto de integração americano inclui o trânsito de bens e a
institucionalização de normas para a liberalização comercial, financeira e dos
investimentos de acordo com os grandes capitalistas.
Em 1980, o México encontrava-se
em crise e para dela sair, iniciou um processo de liberalização econômica
baseada nas exportações, junto ao FMI e o Banco Mundial. Sendo assim, ele
entrou para o Nafta, em 1994, tendo como principal estratégia ser aliado
preferencial dos Estados Unidos nas questões econômicas. O país buscava
facilitar a entrada de capitais estrangeiros para ser base tecnológica e
produtiva para as exportações dos EUA.
O
México também imaginava que esta seria uma porta para a entrada no primeiro
mundo.
Por sua vez, os Estados
Unidos tinha interesse no México a respeito das questões de segurança e também
por motivos geoeconômicos (recursos naturais) e de estratégicas geopolíticas
para a América Latina.
Para que fosse aceito o
tratado que criou o Nafta, nos Estados Unidos, ocorreu uma votação acirrada no
Congresso, já que os opositores alertavam sobre os possíveis impactos negativos
aos trabalhadores e ao meio ambiente. No México, foram utilizados os serviços
da USIA (United States Information Agency) na campanha pró-Nafta.
O tratado queria a proteção
da mobilidade do capital e do comércio na América do Norte. Nele havia normas
sobre investimentos externos incluindo vantagens, direitos e garantias nas
áreas de livre comércio. A respeito disto, alguns privilégios sobrepunham as
legislações nacionais, impondo punições a intervenções jurídicas ou de
políticas nacionais que lesassem a ação de investidores. Passaram a ser
utilizadas, então, as leis internacionais de comércio privado.
Com a criação do Nafta, os
Estados Unidos obtêm vantagens como implementar a agenda de suas corporações,
realizando a liberalização comercial e desregulamentação dos investimentos e
impor acordos, políticas e regulamentos comerciais para impedir demais países
de promoverem políticas de desenvolvimento sob bases nacionais. O México, por
sua vez, teve que adequar-se ao Nafta, alterando suas leis, o que diminuiu a
capacidade do Estado planejar o desenvolvimento econômico nacional.
Surge então um
questionamento: Como estariam posicionados os Estados Unidos no sistema mundial
hoje, se tivesse adotado, em seu desenvolvimento, legislação semelhante à
adotada pelo México?
Os resultados para o México,
após a entrada do Nafta, foram que mesmo o aumento nos níveis de exportações,
os investimentos externos diretos e especializações não tiveram significado
para o desenvolvimento mexicano. Mesmo que tenha ocorrido o superávit no saldo
comercial do México, outros fatores como a concentração setorial das
exportações, a diminuição no valor agregado manufatureiro global e tendente
descida no ranking de competitividade internacional, provam que isso não foi o
suficiente. Outro importante aspecto é a atual atenção dada aos países
asiáticos por parte dos Estados Unidos, que passa a deixar o México em segundo
plano. Em resumo, a entrada no Nafta gerou para o México: maior dependência dos
Estados Unidos; maior disparidade regional dentro dele; desarticulação do
sistema produtivo; diminuição de renda dos trabalhadores; desestruturação de
cadeias produtivas nacionais; inviabilização de políticas industriais ativas;
destruição de médias e pequenas empresas; destruição da produção nacional para
o mercado interno; garantia do livre trânsito de corporações transnacionais;
redução da soberania econômica nacional; maior exportação de pessoas;
diminuição de salários; e indiferença no PIB.
O Plano Puebla-Panamá e o
Corredor Biológico Mesoamericano
A fronteira sul do México e
a América Central tornaram-se regiões importantes no âmbito geoeconômico para o
projeto de integração das Américas, devido à localização e seus recursos. Com a
crescente importância, surgiram investimentos do Banco Mundial no Corredor
Biológico Mesoamericano (CBM) e Tratados de livre comércio como o TLC
México-América Central e o CAFTA-DR. Junto a isto, foi lançado o Plano
Puebla-Panamá.
O Plano Puebla-Panamá (PPP)
apareceu em 2001, anunciado pelo presidente mexicano Vicente Fox. O projeto
previa o desenvolvimento sustentável para melhorar o padrão de vida das
populações das regiões dos Estados do sul e sudeste mexicano e de sete países
da América Central. Ele também visava acabar com os entraves ao
desenvolvimento, incentivando e facilitando os investimentos produtivos
privados, tendo como foco a agroindústria, a biotecnologia, autopeças, o
turismo sustentável, a petroquímica, têxteis e eletrônicos. O financiamento ao
plano seria realizado pela iniciativa privada dos países, governos estaduais e
federais, investidores privados externos, Banco Interamericano de
Desenvolvimento, o Banco Mundial, entre outros. Os Estados Unidos também
prometeram investir na área.
Os analistas afirmam que o
PPP se trata de parte do projeto de integração econômica das Américas,
comandado pelos Estados Unidos. Os interesses destes últimos são a localização,
os recursos energéticos, a mão de obra e a biodiversidade destes locais.
Os que defendem o plano vêem
melhorias como estabilidade econômica e política, integração ao mundo
desenvolvido e contenção do fluxo migratório. Já os críticos dizem que o
projeto é uma agressão contra os recursos naturais e os povos da região.
O quadro atual do Plano
Puebla-Panamá é que este caminha de maneira lenta e que são poucos os
financiamentos para este realizar-se.
A respeito do Corredor
Biológico Mesoamericano, para alguns estudiosos este é mais um complemento para
a tentativa de criar o ALCA. A proposta do CBM é realizar o mapeamento da
biodiversidade da região, sob olhar das corporações transnacionais, além de
conservar a biodiversidade e o uso sustentável para fins econômicos. O fato de
este ser administrado pelo Banco Mundial gera a dúvida de sua segurança, devido
à anterior falha da Revolução Verde, feita pelo mesmo. Além do mais, surge o
questionamento diante da propriedade intelectual e a garantia de patentes, tão
visadas. Os críticos afirmam ser o CBM um sistema de biopirataria continental
subordinado aos interesses empresariais europeus e americanos. Pode-se ainda
observar uma relação entre ele e o Plano Puebla-Panamá.
Para concluir, é possível
notar a tentativa da reconfiguração do sul-sudeste do México e a América
Central em harmonia com os objetivos do projeto dos Estados Unidos de
integração econômica das Américas. Ainda é mais visível a intensa participação
e importância do México, visto que o caminho econômico que é adotado pelas
elites governantes deste país torna-se decisivo.
Texto : SANTOS, Marcelo. O
México como aliado dos EUA no projeto de integração das Américas. Disponível em
: < http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0034-73292007000200010&lang=pt
>
